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15/05/2010

HAMMER 67 solta vídeo oficial no youtube



A banda Hammer 67 disponibilizou o vídeo oficial da música "1984" além dos make of´s da gravação do clipe e do Cd "Mental Illness", e você pode conferir os 3 aqui!!







14/05/2010

Tenho uma banda autoral, e agora?


Como está o som autoral de Caxias do Sul?

Existem espaços suficientes e para todos os estilos?

O que as bandas devem fazer para conseguir seu espaço?

O que os músicos e donos de bares pensam disso?

É o que vamos descobrir agora nesta matéria, onde abordaremos este assunto que vem crescendo cada vez mais entre os músicos de Caxias.

A nossa cena musical vem crescendo muito nos últimos anos, surgindo muitas bandas e músicos de qualidade que tentam conseguir seu lugar ao sol em uma região de muita concorrência e poucas opções.

Em uma recente enquete realizada pelo Blog 47% afirmaram não haver espaço para a música autoral e 32% que até existe, mas para alguns estilos. O restante acha que o cover ainda impera (12%) e que há espaço (8%). Por que isso?

Muitas ferramentas foram criadas pela nossa Secretaria de Cultura afim de alavancar a diversidade cultural de Caxias, como o Financiarte que já contemplou centenas (ou milhares) de trabalhos de diversos segmentos da arte, inclusive a comunidade musical que, com certeza, foi a que mais se beneficiou com este recurso, haja vista a mão-na-roda com o custeio de obras musicais que se tornariam muito caras para bandas de garagem, ou independentes, e que tem a oportunidade de eternizar seu trabalho no mais alto nível de qualidade. A abertura de alguns bares alternativos e temáticos, além de novas casas de Cultura e a revitalização do largo da estação Férrea que está se tornando uma referência cultural de Caxias do Sul.

Para nós ter-mos uma boa base de raciocínio enviamos um mesmo questionário para muitos músicos e donos de bares da cidade, com algumas perguntas diferenciadas para cada caso. O texto a seguir segue o foco diretamente na opinião de quem respondeu este questionário. E para começar vamos ver como está a cena autoral de Caxias:

Segundo Niuton Paganella (Hammer 67/Ac/Dc Cover/Pantera Cover) ”A cena praticamente não existe. Tem muita banda boa com trabalho consistente e não tem como levar a frente o trabalho porque não existe oportunidade para tocar, divulgar o trabalho, etc. Isto não é um problema só da cidade, é da natureza cultural do Brasil mesmo, tem que buscar oportunidades fora se quiser viver de música de uma maneira honrosa.

Ainda falando sobre essa cena autoral Caxiense, César Branco (Fighter) diz que “Caxias do Sul sempre foi uma cidade de músicos talentosíssimos. Admiro as bandas que dão o "sangue" pelo trabalho próprio, e que alguma forma batalham por sua divulgação a fim de conquistar o seu espaço e público. No meu ver, por ter pouco espaço para tocar, vejo a cena de bandas autorais muito fraca.Breno Dallas (Pindorália) é mais otimista A quantidade de bandas com trabalho autoral (e de qualidade) aumentou consideravelmente em Caxias, e isto de certa forma já pede que haja um espaço reservado a elas. Ainda é difícil que os bares estejam dispostos a destinar noites exclusivamente à musica autoral produzida na cidade, uma vez que correm o risco de que poucos apareçam, que a noite "não renda o necessário". Mas alguns espaços estão se abrindo, bares e casas de show começam a mostrar agendas com maior espaço para a música autoral - talvez seja um início.

Este é o caso do Vagão Bar, onde vemos uma agenda recheada de bandas autorais, não só da cidade, mas de fora também. Mas a assessoria do bar é bem realista neste sentido “A programação do Vagão é de maioria autoral, no entanto, nem todas as bandas possuem público suficiente para garantir "casa cheia" por isso o bar vem optando em garantir com que algumas bandas abram shows de grandes atrações tentando assim ampliar seu público.” E isso corrobora com a opinião de Anderson Aguzzoli (Álgida), “A atitude é ótima, entretanto muitas vezes falta público para ouvi-las... acho que existem várias bandas interessantes na cidade e que fazem um trabalho de qualidade e é interessante que isso perdure, porque muitas vezes sinto que bons projetos terminam precocemente.

Outro fato que merece destaque, é que, bandas autorais são colocadas freqüentemente juntas em festivais em dias anormais como quintas-feiras, domingos e até segundas-feiras. Pra piorar, estes eventos não geram, muitas vezes, qualquer remuneração para a banda, demonstrando, a nosso ver, uma inversão de valores, já que bandas autorais são as que mais tiram dinheiro do bolso para se manter na ativa. Para Bruno Machado (Anaxes) “Um pouco da culpa é do desinteresse do próprio público. Já tivemos vários eventos voltados para a música autoral e a maioria foi bem fraco em relação ao público. Então deve ser por isso que os bares disponibilizam esses dias para as bandas autorais. O publico prefere fazer a sua festa ouvindo as confirmadas, seja num show de cover ou com som mecânico. Os donos de bar sabem disso e como o que eles querem é vender trago, a coisa não muda.” Diz Paganella. Tem gente que acha que deixar o músico tocar já é um baita incentivo!!! Hehehehehe tem que rir pra não chorar! Mas o maior problema é que um show apenas de música autoral, dificilmente atrairia um publico representativo como um show de cover (a não ser que seja feita uma boa divulgação em cima do material da banda). emenda João Galimberti (Agente Ed).

César Branco faz uma consideração interessante, ele diz que “Pode-se dizer que SIM é uma inversão de valores. Mas, também é verdade que muitas bandas não dão valor merecido á suas obras. Tocam de graça e por vezes até em troca de cerveja. É muito importante, mesmo em meio a um festival de música própria com várias bandas, APARECER e mostrar o trabalho e a proposta de alguma forma. Porém, essas propostas de pgtos aceitas por algumas bandas, com o tempo, facilitaram as negociações para os donos de bares. Por isso, hoje, os cachês estão tão baixos ou resumidos a nada (infelizmente).”

Eu nunca me importei em não ganhar para tocar, mesmo porque em minha modesta carreira foi poucas as vezes que vi um cachê em minhas mãos tocando som próprio, era mais pela divulgação em si. Bandas de música autoral sempre sofreram certa relutância dos bares, ainda mais quando é num estilo mais pesado. Uma das alternativas sempre foram os festivais particulares que às vezes dava mais prejuízo que lucro.Diz Marco Paim (Enemywork/The True/After Dark). Breno Dallas exemplifica por experiência queDepende do tipo de festival. Temos o Manifestasol, que é um movimento autogerido sem fins lucrativos, e que organiza festivais sem poder oferecer cachê aos músicos, mas normalmente as bandas convidadas sabem que o festival é em prol da união entre a variedade artística da região, e que tocar lá é como que apoiar um festival que está começando. Mas há muitos festivais, que inclusive acontecem em cidades distantes, e normalmente as bandas q vão tocar se vêem, inclusive, obrigadas a fretar uma van pra poder ir até lá, e não receber cachê (e olha q existem festivais q financeiramente poderiam dar este apoio, mas mesmo assim não dão).Demonstrando que a dificuldade não se limita a espaços de bares e pubs, ou seja, se você toca música própria está destinado a ralação!

Já vendo pelo lado empresarial, a assessoria do Vagão diz que: No Vagão não é assim, mas é uma questão de rentabilidade... Um bar é um negócio, e tem que ser visto como tal! Muito embora toque bandas ele tem que dar lucro no final da noite, e nem todas as bandas tem a capacidade de dar lucro ao lugar, por isso algumas pessoas entendem que a música autoral tenha que ser colocado nesses dias..” e conclui: “tem que se dissociar, um bar não tem obrigação de dar espaços, ele e um negócio, a obrigação de dar espaço é do poder público, não da iniciativa privada, mesmo sendo bar de rock, ele é um negócio que visa lucro, se não o espaço fecha! Logo, é necessário que, para pagar bem a banda, ela tenha retorno de público, e o fato de você fazer música própria não quer dizer que você vai ter retorno de público, você deve pagar bem que lhe dá retorno e não o contrário.

Isso é uma grande realidade! O poder público tem de incentivar mais, abrir mais eventos de artes e música, um RockParque de vez em quando não resolve o problema, são muitas bandas sedentas para pouca fonte. Casas de Cultura devem ceder mais espaços, tirar da mente aquela formalidade destinada apenas a espetáculos eruditos e rechear suas agendas com mais diversidade. Bruno Machado é bem taxativo: “O problema é que alguns acham que músico não é profissão. Por isso acham que estão fazendo um favor para as bandas, dando espaço e tudo mais, mas não é bem assim que funciona. Ninguém trabalha de graça e isso é uma vergonha!””...e tem outra, só pelo fato de ser autoral não quer dizer que a banda seja boa. Vemos bandas fazendo música mas na verdade nem sabem o que estão fazendo. Não adianta querer empurrar goela a baixo uma coisa que não funcione e não agrade. Tem de se profissionalizar e procurar o melhor direcionamento para o seu som e se garantir na proposta escolhida.” Conclui Marco Paim.

Mas vejam este fato curioso que aconteceu com Tiago Rech e sua banda, o Gringos e Troianos: ...foi quando, em setembro de 2008 o pessoal da MTV entrou em contato comigo por causa da musica "Sonhos". Os caras gostaram da musica, e nos selecionaram pra representar Caxias do Sul no programa MTV Procura, com a banda Cachorro Grande. Então, a idéia era mostrar como era a cena musical de Caxias e a gente tocando nossa musica. Eu fiquei 15 dias correndo atrás de alguém que abrisse as portas para fazermos essa filmagem e ninguém quis nem saber. Mesmo os caras da MTV vindo gravar com uma banda local de musica autoral, juntamente com uma banda de renome nacional, o que ia gerar uma mega divulgação, não só para o dono, como para a casa, que seria filmada e tal, e apareceria em rede nacional, ainda assim não quiseram abrir espaço. Então, eu realmente não sei o que dizer, é incrível... Mas enfim, assim sao as coisas em Caxias, pelo menos na minha visão.“ Claro que na época, os bares eram outros, hoje a coisa seria diferente, assim acreditamos.

Que há bandas covers de muita qualidade em Caxias isto é um fato, mas será que dá para dosar esta disputa de maneira leal e proporcional? Paganella tem uma opinião bem interessante neste sentido “no contexto das casas noturnas que tem espaço pra shows, teria que ter uma mudança radical, com um foco maior no trabalho das bandas e menor na festa em si. Hoje as bandas tocam na noite e são encaradas pelo contratante (e até mesmo pelo público às vezes) como apenas um algo a mais, uma fonte sonora que poderia ser substituída por um DJ ou o que quer que seja.” “É uma questão de proposta, o Vagão entende que trabalhando mais com música autoral acaba gerando cultura e oxigenando a cena da cidade! Mas isso é um trabalho conjunto, os músicos de Caxias precisam se profissionalizar, tanto em atitude quanto em questão de composições! Dá para dosar covers com autoral.” Diz o Vagão Bar. Breno Dalla expõe que “Normalmente bandas de rock autoral também tocam dois ou três covers mas, na minha opinião, isso já basta. Uma coisa que é um tanto irritante é ver que algumas bandas covers são montadas só por diversão e ganham espaço com maior velocidade q bandas autorais que estão há anos buscando apresentar seu trabalho por aí, com toda seriedade e sinceridade.

Marco Paim diz “Uma banda cover tem muito mais chances de agradar o público pelo simples fato de tocar o que as pessoas querem ouvir. Uma banda cover toca muito mais vezes em uma cidade por conseguir renovar seu repertório em questão de semanas. Você toca neste sábado e 15 dias depois tem em seu repertório 3, 4 ou mais músicas novas para apresentar... é só tirar e executar! Uma banda de autoral já não tem o privilégio de tocar muitas vezes POR ANO numa mesma cidade por este motivo, já que o repertório de hoje será basicamente o mesmo daqui 15 dias ou 1 mês. O processo é outro, tem a composição, todo um trabalho envolvido. Bandas autorias não devem se limitar apenas a Caxias do Sul. Se quiser tocar muitas vezes no ano tem de ser em cidades diferentes, expandir horizontes!

E a discriminação de estilos? Será que todos os segmentos musicais tem seu espaço garantido em Caxias do Sul? Andreson Aguzzoli ressalta que “Não adianta você chorar que tem uma banda de um estilo que não é popular, a conseqüência disso é ter um público diminuto. Eu sou baixista da Álgida, mas não vou reclamar que poucas pessoas conhecem o estilo que tocamos, afinal a escolha por ter uma banda de influência de pós punk foi nossa! Isso falando de bandas com estilos bem exóticos, pelo menos para Caxias, mas o que dizer do rock mais pesado ou mesmo o heavy metal, e Marco Paim faz um contra-ponto ao dizer que “Não entendo certa postura de alguns bares... falam em lucros, em casa cheia, mas quando uma banda de heavy metal tenta marcar um show são barradas. Tudo bem, até entendo que alguns bares tem um direcionamento específico, mas dizer que uma banda de heavy metal não lota um bar é hipocrisia, essa desculpa não cola, pois shows de metal, se não colocados no final do mês é claro (como costuma ser) é garantia de lucro na noite. Em todos esses anos que toco metal dá para contar nos dedos as noites em que vi a “casa vazia”, e olha que já estou pegando uma segunda geração de público. Até parece medo dos “homens de preto” hahaha!” e Paganella emenda “Acho que o espaço que existe é tão ruim e tão pequeno que não faz muita diferença essa segmentação, pra te dizer a verdade eu nem sei se acho que isso exista, pelo menos pra mim nunca foi relevante. É ruim pra todo mundo igual, acho que até pra pagodeiro tá ruim porque nem pra isso deve ter espaço em Caxias pra tocar. Ainda acho que pra mudar a cena teria que ter uma demanda do público por uma casa que tivesse o foco nos shows como o Garagem Hermética faz em POA, e isso teria que ser economicamente viável também porque senão a casa não se sustenta. Ou seja, se realmente Caxias quer algo assim, teria que ser um movimento que partisse do público que acha que está carente deste espaço pra viabilizar a idéia.” e nessa mesma linha de pensamento Bruno Machado sustenta que “É normal que alguns bares tenham um direcionamento em relação aos estilos musicais, mas hoje em dia falta espaço para muitos estilos. Ao meu ver, pra quem tem uma banda de reggae ou de heavy metal por exemplo, fica bem complicado ter uma sequência de shows, não há lugares o suficiente para se tocar com frequência. Existem muitas bandas na cidade, sem falar que os bares dão bastante espaço para bandas de outras cidades também, então existe muita oferta pra poucos lugares.

Não tem como abrigar todos os estilos! Veja bem, voltamos ao problema de que um bar é um negocio! Não é um centro democratico de livre acesso, isso cabe ao poder público não a iniciativa privada! O dono do bar ou casa de show aposta naquilo que ele entende que vá lhe dar dinheiro! A coisa é super simples! Se as bandas se perguntarem: eu tenho capacidade de lotar o bar? e a resposta for não, não cabe ao proprietário investir seu dinheiro nessa banda e sim em que lhe dará retorno...” Conclui o Vagar Bar.

E a conclusão de tudo isso é que, não está fácil para ninguém! Existem muitos bares, pubs e boates, alguns com propostas bem específicas como o Mississipi Bar, que só toca blues, outros que preferem apenas o Som Brasil, mas os espaços ainda estão muito limitados para muitos estilos. Alguns lugares sempre vão ter uma preferência maior pelo cover visando o lucro e a perpetuação de seu negócio. Outros, como o Vagão Bar, ainda são um pouco mais ousados e propõem uma valorização do autoral, mas ainda com aquela seletiva de bandas também visando o capital sustentável. Isso não é só em Caxias do Sul, tem cidades piores, e não é culpa dos bares e sim de um governo que ainda tem um incentivo muito tímido para a arte e a cultura, e Caxias e o Brasil ainda está engatinhando neste sentido.

Uma idéia que já havíamos divulgado tempos atrás para uma maior popularidade do som da cidade é rodar bandas daqui no som mecânico. Por que o cover é mais aceito? Porque é familiar... No momento em que o Dj fizer um repertório 80% de som de bandas autorais de Caxias aquelas músicas ficarão mais familiares, por causa da execução freqüente da música... muitos até aprenderão a letra. É um meio de ajudar e que não custa nada. Outro dia estive em um bar e para minha surpresa ouvi duas músicas daqui,”A Dança” de Ton e Os Karas e “Cariñito” dos Cucastortas em outra ocasião. Mas teve o caso de você ouvir aquele som mecânico antes do show recheado de sons batidos da FM dos anos 80 e logo após, veja bem, a banda (cover) subir ao palco e executar as mesmas músicas, tudo de novo! Ninguém merece! E aí vem o exemplo que alguns comentaram de que a banda era apenas um “algo mais” na festa.

Já esteve pior é claro, temos relatos de músicos mais velhos que contam histórias mirabolantes para poder tocar pelo menos uma vez no ano. Aluguéis de pavilhões e clubes,além de bares sanguessugas e mercenários, sem contar do nível precário dos músicos.

Às vezes ouvimos falar em concorrência de bandas, mas isso é exatamente gerado por esta situação de “muita procura para pouca oferta”. O que devemos fazer?

Continuar trabalhando, não desistir dos objetivos e procurar alternativas externas, sair da cidade e encontrar o mundo além da serra gaúcha, só assim, firmando um nome, uma proposta sólida, você será reconhecido, esta é a grande realidade... ou toque cover...

Colaboradores (e suas bandas autorais):

Niuton Paganella (Hammer 67) – metal industrial

Marco Paim (Enemywork/The True) – heavy metal

Tiago Rech (Gringos e Troianos) – pop rock

Bruno Machado (Anaxes) – prog metal

Breno Dallas (Pindorália) – rock psicodélico

João Galiberti (Agente Ed) - rocknroll

Cesar Branco (Fighter) – hard rock

Anderson Aguzzoli (Álgida) – Gótico pós-punk

Queremos agradecer a estes colaboradores que responderam ao questionário e deram as opiniões de grande valia para a nossa matéria. Infelizmente não deu para colocar tudo o que cada um respondeu, mas deu para ter uma idéia já que cada um tem uma banda com uma proposta diferente. Agradecemos ao Bar Vagão pelo seu ponto de vista empresarial, a coragem e a transparência em “dar a cara para bater” respondendo de forma bem sincera as questões.

Este foi o primeiro trabalho do HeavynRoll Messenger neste sentido, espero que tenham gostado da matéria, um pouco longa, mas que deixa bem claro a situação da cidade.

Obs: as questões foram mandadas para mais ou menos 30 músicos e 5 bares, mas apenas 8 músicos e 1 bar se manifestou... Esta é a união de Caxias do Sul!!!

Abraço e Sucesso a todos!!!






08/02/2010

Entrevista com NIUTON PAGANELLA (Hammer 67 / Pantera Cover)


Uma verdadeira personalidade do rock e do metal de Caxias do Sul e com muita história para contar. Fizemos uma breve entrevista com Niuton Paganella, que fala um pouco de sua carreira e o Hammer 67, nova banda em parceria com Paulo Schroeber (Almah / Astafix) e que promete dar o que falar.


HEAVYNROLL - Paganella, um pouco do seu histórico musical. De onde vem esta incrível voz?

PAGANELLA - Cara, estou nessa lida desde 1991 quando comecei a tocar com uns amigos lá do Desvio Rizzo em uma banda chamada Ópera Explícita, tocávamos covers e tínhamos uma demo com 4 sons próprios. Tem uma história muito engraçada dessa banda, fizemos um show de lançamento da demo (olha a viagem...) no teatro do Sesc e deu um monte de coisas erradas, sem falar que a galera até hoje se deita na minha por causa de um figurino infeliz ehahehhuhaue... a gente era meio maluco na época, tocava uns lances que ninguém mais nem pensava em tocar, tipo Malmsteen, Dream Theater, a maioria da galera na época nem conhecia essas coisas...

Depois participei de várias bandas de cover, entre elas uma chamada Crazy Horse com o meu grande amigo Marco Paim na guitarra, na época ele nem cantava ainda profissionalmente, e hoje é a melhor voz de metal que eu conheço e já vi cantar na minha frente, realmente um mestre. Fiquei uns dois anos tocando na Travelin Band com o Douglas Pes, o Rodrigo Parizotto, o Fábio Broetto e o grande guita Rafael Danenhauer (hoje na Revolver) e foi uma experiência bem interessante. Essa era a época das grandes bandas de cover, como Lucille, Miss Liz, Cooks, Dama da Noite e Fall Up (depois Naja), e todo mundo tava procurando seu espaço. Bons cachês, muitas casas bacanas pra tocar, estruturas de show grandes, o saudoso Canta Park... aí eu e o Igo Zorzi montamos a Mr. Medley, uma banda que teve bastante sorte nesse meio, porém só em POA e interior do estado, em Caxias nunca deu certo... Foi essa a fase onde comecei a me achar musicalmente, definir um estilo, excluir do meu repertório coisas que não tinham a ver com minha voz e buscar definir uma identidade musical, tanto na voz como no palco. Foi uma grande experiência e uma das melhores fases da minha vida como músico. Tocamos para grandes públicos (12 mil pessoas na escolha da rainha da Festa da Uva), ficamos 5 anos direto como banda fixa do bar Opinião em POA, foi para mim uma pós graduação na arte de ser um frontman de banda de rock.

Finalmente, o fato que causou a definição do meu estilo foi ter começado a tocar com o Paulo Schroeber, a gente tocou junto por muito tempo com uma monte de músicos diferentes, até montarmos o Pantera Cover, inicialmente com a dupla de irmãos Viegas (João Viegas e Gustavo Viegas) no baixo e na Batera, depois com a saída deles, a definição do Bala no baixo e um tempo tocando com o Douglas Carbonera (ex Fall Up) na batera, e agora com o Marcelo Moreira (Burning in Hell / Almah). O Paulo foi um pai pra mim nesse sentido, me ajudando a definir o estilo, me orientando e apoiando a tentar fazer o melhor possível dentro das minhas limitações, ou seja, aproveitando bem o que fica bom na minha voz e descartando o que não funciona. E a maneira como ele produziu e tratou o vocal na mix e na master é uma coisa que com certeza só ele iria conseguir fazer.

HEAVYNROLL - Como surgiu o Hammer 67? O Pantera Cover e o Hammer 67 são a mesma banda?

PAGANELLA - A Hammer surgiu há uns 3 anos, eu e o Paulo sempre tivemos vontade de deixar um registro das coisas que a gente fez musicalmente, um registro da nossa história musical. Temos anos de estrada e não tinha ainda colocado num disco aquilo que realmente gostamos de fazer, um som pesado e com uma personalidade diferente. Com certeza o Paulo já tem um histórico de criações musicais excelentes, com discos gravados com o Almah, com o Astafix e com a Naja, mas o trabalho com a Hammer foi diferente porque éramos nós dois apenas, sem nenhuma outra influência ou direcionamento. Conversamos muito antes de iniciar a composição, definimos o que deveria e o que não poderia ser feito, decidimos trabalhar só nó dois no micro para manter o foco no direcionamento musical, e depois de algumas experiências iniciais, o som começou a surgir naturalmente. Levamos dois anos entre composição e pré-produção, e quando já tínhamos 90% do material pronto, fizemos o projeto para o Fundoprocultura e fomos contemplados. Aí foi só gravar valendo, caprichar na mix e na master e tá aí o disco. A formação da Hammer 67 que gravou o disco e que vai fazer os shows conta com o Márcio “Bala” Venz no baixo e com o Rodrigo “Figo” Zorzi na bateria, ou seja, é parecida com a do Pantera Cover mas não é a mesma.

HEAVYNROLL - A banda acaba de lançar um Cd chamado "Mental Illness", com 11 músicas inéditas, muito bem produzido e diferente de tudo que já foi feito, pelo menos por aqui. Como foi o processo de composição e gravação? Fale do Cd em si.

PAGANELLA - Como eu comentei anteriormente, a composição foi toda feita pelo Paulo e por mim. Iniciamos com alguns riffs que o Paulo tinha gravado há tempos, que estavam ali esperando para ser encaixados em alguma coisa. Dos riffs iniciais íamos criando uma estrutura, utilizando alguns samplers e batidas eletrônicas e, no desenvolvimento da idéia íamos encaixando as partes de bateria mesmo, para dar consistência a peso para a música. Sobre essa base inicial eu escrevia as linhas de voz e uma letra inicial (um refrão eu uma estrofe ou duas) e mostrava a idéia pro Paulo pra ver o que ele achava. Quando nós dois achávamos que tava bacana, aí partíamos para a construção total do arranjo e a finalização da música, que depois iria ser toda gravada de novo e produzida de maneira a buscar essa sonoridade coesa que queríamos para o disco como um todo. Queríamos um disco pesado, com coisas novas e modernas mas sem parecer muito Nu Metal, no qual conseguíssemos imprimir nossas influências e formação, mas que não pudesse ser rotulado como “parecido com” isso ou aquilo. O tema das letras foi algo que discutimos bastante e decidimos falar sobre aspectos do comportamento humano que estão presentes em todos nós, mas que por detalhes pequenos as vezes se transformam em grandes problemas, doenças da mente e da alma, enfim, mental ilnesses...

A gravação da guitarra e do baixo foi feita no home estúdio do Paulo (Chapelão Studios) e o restante foi todo gravado no Digital Master. A pré-produção foi toda feita pelo Paulo, e a produção final, mix e master também foi coordenada por ele com a assistência do Juliano Boz no Digital Master. A arte do CD é um trabalho que chama muita atenção pela qualidade e originalidade, obra do grande Benhur Lima, que também está responsável pelo desenvolvimento de nossa homepage e myspace. A fotografia do encarte foi feita pelo Alex Milesi com produção da Babi Fioravanzo.

HEAVYNROLL - Há também um cover de uma banda caxiense, a "Martelinho 67" do Aliança Rebelde, na qual você já havia gravado no tributo a esta mesma banda, mas agora com uma roupagem diferente. Além da música, veio o nome "Hammer 67". Qual a relação que tens com o Aliança?

PAGANELLA - Eu conheço e admiro o trabalho do Aliança desde os anos 90, quando estava começando lá no Rizzo e assisti um show dos caras. Fiquei apavorado de ver a atitude da banda e o nível etílico dos caras eheheh... ficamos muito amigos, saímos juntos várias vezes, principalmente com o Lonis, eles eram grandes amigos do pessoal da Travelin com quem toquei, e aí surgiu o convite pra Naja tocar no CD tributo. Como a Denise que era vocalista da Naja na época não tinha muito a ver com o tipo do som, o Paulo me convidou pra gravar com eles. Foi um dos melhores dias da minha vida, tomamos caixas de cerveja e nos divertimos muito. Foi aí que eu e o Paulo resolvemos que tínhamos que homenagear essa lenda do rock caxiense, e resolvemos batizar a banda como Hammer 67 e colocar a nossa versão da martelinho como bônus track (o Paulo queria que fosse a primeira do CD de tão boa que ficou eheheh). Lembro ainda hoje do dia da gravação, uma jaguarada no estúdio do Juliano, cerveja voando pra todo lado e o Dentinho soltando a pérola que finaliza o CD!! Ficamos tão felizes com o resultado que na segunda-feira seguinte tirei o Lonis de casa quando ele já estava jantando com a família só pra mostrar pra ele a gravação, afinal a gente precisava da bênção dos caras pra botar o som no CD. Ele ficou meio puto da cara de sair no meio da janta em plena segunda-feira, mas quando ouviu aprovou na hora. Depois o Saretta autorizou a gente a utilizar a letra (direitos autorais e tal) e tá aí o resultado, pra mim uma das melhores do disco e um fechamento com chave de ouro.

HEAVYNROLL - Vocês nunca fizeram um show desta banda específica, tornando assim as músicas do CD literalmente inéditas para o público, diferentemente de outras bandas que vão enxertando músicas próprias um pouco antes de lançarem algum material. Isso foi intencional?

PAGANELLA - Foi totalmente intencional. Inclusive a distribuição do CD está sendo muito planejada, entregamos algumas cópias para os amigos mais chegados, mas o plano para essa tiragem de mil cópias é enviar para o máximo de sites e revistas especializadas, e conseguir alguns bons reviews antes de buscar alguma gravadora, provavelmente na Europa, já que aqui nosso CD apodreceria nas prateleiras das lojas, perdido entre milhares de calipsos, ricks e renners, tiriricas e marcelos rossi da vida...

HEAVYNROLL - Com o Cd em mãos, quais são planos da banda? Divulgação, shows...

PAGANELLA - Temos que entregar 3 shows como contrapartida pública pelo projeto do Fundoprocultura, mas temos a intenção de fazer isso apenas depois de termos pronto o site e o myspace, e de gravarmos um clip da música “1984” que é o carro chefe do CD. Quando tudo isso estiver ok, aí começaremos o trabalho de divulgação do disco, acredito que dentro de um ou dois meses.

Agradecemos profundamente ao grande Paganella por nos conceder esta entrevista relâmpago. Futuramente faremos outra com mais calma. Agora cabe a nós esperar por este grande lançamento.

Abraço e Sucesso a todos do Hammer 67!

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5 Maiores influências

  • Bpon Scott (Ac/Dc)
  • Phill Anselmo (Pantera)
  • Ian Gillan (Deep Purple)
  • Dio (Dio / Heaven and Hell)
  • Udo Dirkschneider (Udo / ex-Accept)
10 Mariores álbuns

  • Highway to Hell – AC DC
  • Back in Black – AC DC
  • Born Again – Black Sabbath
  • Heaven and Hell - Black Sabbath
  • Far Beyond Driven - Pantera
  • The Great Southern Trendkill - Pantera
  • Metal Heart - Accept
  • The New Black – Strapping Young Lad
  • Inferno - Motorhead
  • Scenes from a Memory – Dream Theater